A Fabulosa Espera de Anne Marie

Variações aleatórias entre o muito bom e o muito mau... mutações emocionais constantes... o paradoxo da normalidade

dimanche, mai 14, 2006

Porque o melhor do mundo são as crianças...

Impressão 1:
O conceito de inferno não implica dor física mas o martelar dos gritinhos de alegria de pessoas com menos de 1 metro de altura. Não falo de anões do circo, mas da feira dos insufláveis em Monsanto.
O silêncio fica à porta, acompanhado dos sapatos e ténis dos petizes. Pontualmente, no meio do ruído, uns balões rebentam... e aquilo que seria assustador é apenas um decibel mais forte do que o contínuo som destas labaredas infernais.
Diálogo 1:
- Olá, Salvador! Eu sou a Ana. Tens de me obedecer a tudo o que te disser hoje.
- Sim, está bem!
(Que gozo! Nunca tinha dito isto a ninguém... e apesar da pessoa em questão ter 6 anos, senti-me poderosa!)
Impressionante:
Conheci um menino comilão que consegue enfiar duas fatias de bolo de chocolate na boca, em simultâneo. Depois engole água e sai a correr para a brincadeira.
Impressão 2:
Quase vinte crianças risonhas numa jaula com doces e batatas fritas. Os pais trocam sorrisos perplexos. No entanto, sente-se a felicidade no ar... e particularmente nos ouvidos.
Sobre o espaço 1:
Há cerca de meia dúzia de insufláveis dentro de uma tenda que pretende passar a mensagem "O brincar ajuda a pensar, pensar ajuda a crescer". Supostamente toda esta engenharia lúdica tem um racional teórico do Prof. Doutor Enigma, protegido pelo anonimato de um traço de corrector pouco discreto.
Sensação 100:
Agora os meninos do cubículo 3 foram passear ao ar livre. Eu fico dentro das grades, já habituada à banda sonora envolvente. Começo a sentir sono. Será possível? Estou anestesiada pelo divertimento infantil actual. Mesmo com apitos, música foleira, balões a explodir, gritos, gritinhos e gritões, fecho os olhos. Vou tentar dormir um bocadinho enquanto os amiguitos brincam ao sol e na relva *
Sensação de absorção mas ao contrário:
Ah, informação de último minuto: na jaula ao lado da nossa uma miuda vomita as entranhas. Se isto fosse um filme de terror, todas as outras crianças se enojavam e vomitavam em jacto contínuo, afogando o recinto... mas isto não é um filme de terror. É só um pesadelo!
Conclusão (escrita já no silêncio do meu palácio):
Consigo alhear-me de algum desassossego exterior. Sobrevivi bem a esta manhã-tarde. Sinto-me cansada, mas tranquila. Um dia não são dias! Agora vou tomar benurons para a pinha...
* Por lapso referi sol e relva. A minha sister corrigiu-me - eles saíram de uns para outros insufláveis, no exterior da tenda grande...

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